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Relato de Parto VBAC Fernanda – Nascimento do Bento

NASCIMENTO DOS MEUS FILHOS: Silvia e Bento

Desde menina eu já ouvia minha mãe e tias dizerem que o melhor parto é o normal. E aí vem a primeira observação importante: a questão cultural na família é o que fortemente influencia suas escolhas. Talvez por isso hoje eu seja tão preocupada com os costumes ao redor dos meus filhos, mas, isso fica para um outro relato rs.
Pois bem, engravidei da Silvia e queria um parto normal. Até ouvi falar de parto humanizado, curso, banheira, parto em casa… “ah não precisa tudo isso”, pensei, “quero apenas um parto normal”. Mas, percebi a dificuldade de ir contra o sistema, mudei três vezes de obstetra. Cheguei ao terceiro e último médico aos 7 meses de gestação, pois ouvi dizer que este preferia o normal, pode até ser, mas não foi bem assim.

PRIMEIRO PARTO (CESÁREA)
Minha bolsa rompeu às 23h. Ebaaa! Era assim mesmo que eu queria que fosse. Achava que era o caminho mais “correto”, mais “comum”. Só que não rs. Quando a bolsa rompe, geralmente, o trabalho de parto começa com fortes contrações já desde o início, e não, não precisava ter rompido no início pra ser normal, mas eu só saberia dessa informação um ano depois.
Bolsa rompida, corremos pro hospital como disse o médico, o que já foi diferente do que dizia minha mãe, mas…. segui o combinado no consultório. Cheguei a comentar com o plantonista que tive muitas contrações de treinamento, e ele rebateu: “acabou o treino!” Meu corpo parece ter ouvido, e as contrações apertaram muito. Que Contrações são essas! Não é brinquedo mesmo não! Foi o que falei pro meu esposo.
E assim passaram oito horas, eu deitada, meu esposo ao lado, até a chegada do médico que disse: já está muito tempo em trabalho parto, bolsa rota, perdendo líquido…. Tudo que a maioria das mulheres ouvem por aí. Entrei pra estatística da cesárea sem justificativa.
Frustração 1: achei mesmo que meu corpo não era pra parto normal.
Tempos depois, mais de um ano, conversas vem e vão, e ainda bem que converso com um tantinho de gente esclarecida rs, veio a
Frustração 2: meu corpo tinha dado sinais de que seria um parto normal, tudo o que o médico disse pra mim não era motivo para cesária, e olha que outros como pressão alta, idade avançada, diabetes, cordão enrolado, também não são, sabiam? O meu caso, provavelmente, era só continuar esperando o corpo agir, as contrações continuarem e o parto ser normal.
Enfim, foi assim meu primeiro parto, da Silvia, o “parto que eu precisava ter” (as mulheres da roda entenderão) para que minha segunda experiência, fosse diferente.

SEGUNDO PARTO (VBAC)

Engravidei do Bento! Ah, sim! Foi planejado! Rs Essa era a resposta para a primeira pergunta que eu ouvia. A segunda coisa que eu mais ouvia é que eu era corajosa! Rs
Eu não entendia bem essa observação, mas parece que quanto mais eu ouvia, aí sim parecia “perder a coragem”, sentir uma certa insegurança, mas segui confiante com nosso projeto de vida.
Comecei a frequentar as rodas (Roda Bebedubem), fazer cursos, procurar médicos e outros profissionais para formar uma equipe de parto, conversar sobre o assunto somente com pessoas que pensavam como eu… Sim! Nesse caso, como viram acima, só vale a pena conversar com quem pensa como você, pois do contrário só vai ouvir baboseiras, ser desmotivada e ser chamada de louca por querer parir, ter parto normal, parto humanizado, parto em casa então?! Além de louca, surtou! Com a equipe certa (agradecimento especial abaixo), Bento veio ao mundo de forma respeitosa, no seu tempo e com muito amor. Foram 25 horas de bolsa rota, umas 20 horas de trabalho de parto, permaneci mais de 17 horas em casa. Não teve episiotomia (famoso “pic” na vagina), apenas uma pequena laceração. Foi necessário o uso de ocitocina e peridural nas últimas 2 horas para chegar à dilatação total, já que permaneci com 5 dedos de dilatação nas últimas 12 horas, além das alterações nos batimentos do Bento e na minha temperatura nas horas finais. Um ótimo motivo para cesárea né? Só que dessa vez, não! Centro cirúrgico, posição obstétrica (por motivo de protocolo hospitalar), mas de parto normal, sem gente empurrando a barriga, sem corte, sem humilhação, com tranquilidade, sem pressa para cortar o cordão umbilical, que pulsou até esbranquiçar, permitindo que Bento aprendesse respirar por outra via no seu tempo, e depois foi cortado pelo pai. E ainda teve mamada no peito!

COMPARTILHAR EXPERIÊNCIAS

Por que relatar minhas experiências em um textão como esse?
Porque acredito que ainda falta muita informação sobre o parto, que muitas mulheres não tem nem a oportunidade de escolha e quando optam por um parto normal (a maioria opta pelo normal no início da gestação) acabam sendo enganadas, estimuladas a uma cesárea ou sofrem violência obstétrica. É compartilhando que aprendemos mais! Me recordo de cada pessoa (marcadas aqui) que contribuíram para que eu pudesse ter essa experiência.
A chegada e o início da vida são passos iniciais importantes para formar pessoas melhores, contribui fortemente com a conexão mãe e filho nos aspectos fisiológicos e emocionais, como os cuidados e a amamentação, os riscos são menores, a recuperação é melhor (eu achei) e ainda permite muitas mulheres descobrir a força que tem! O parto também é parte da sexualidade da mulher!
Compartilho para mostrar que é possível sim, parto normal após cesárea e todas as outras condições que aí citei, mas para isso é preciso mais do que vontade, é preciso se preparar e é preciso ter uma equipe que acredite nesta forma de nascer!

AGRADECIMENTOS

Já agradeci pessoalmente e de forma muito emocionada aos que foram fundamentais para esse desfecho e estiveram o tempo todo comigo:
Débora Diniz – doula
Fabiana Beracochea – fotógrafa
Juliana Paola – médica obstetra
Juliana Santini Racca – doula
Luiz Eduardo -pediatra
Mayra Rezende – minha mãe
Sebastião Pedroza – meu esposo
Silvia Rezende Pedroza – minha filha
Thaís Peloggia Cursino – enfermeira obstetra

Tod@s foram fundamentais para o desfecho do parto. Sem a Ju, doula, eu não teria chegado nos profissionais e nas escolhas certas. Ju seria minha doula mas Bento adiantou poucos dias e, seu papel era mesmo ser meu anjo nos conselhos e decisões. Sem a Débora, que foi minha doula no parto, eu não teria mãos milagrosas para ajudar a aliviar a dor e não acredito que Bento teria se reposicionado para que Dra Juliana, tão meiga, e com tanta confiança, pudesse tomar as intervenções necessárias e fazer acontecer o parto normal. Thaís, sempre atenta, me trazia segurança de que eu e Bento estávamos bem para seguir em frente.
Fabi, uma fotógrafa doula, chegou de última hora para registrar tudo de forma muito natural, discreta e doce, para que pudéssemos relembrar melhor esse momento com a dimensão que ele merece.
Dr Luiz, um pediatra tranquilo, que nos permitiu viver, de fato, esse momento, olhos nos olhos, e boca no peito, sem correria e apenas com os primeiros cuidados realmente necessários para o bebê.
Mayra – minha mãe querida, inspiradora nos seus três partos, que me trouxe ao mundo ao som de violão, guardou por nove meses minhas confissões, desabafos e dúvidas, aguentou só, calada e forte, como sempre, minhas solicitações de não falar a ninguém, antes e no dia, aceitou a missão de ficar conosco em casa, e ainda dar conta de lavar, passar e arrumar nossas malas que não estavam nada prontas rs. Minha admiração por ela só aumentou, pois sei mais uma vez que posso contar e confiar. Sebastião, meu marido, apoiou minhas decisões desde o início e esteve todo tempo em casa, transmitindo boas energias e cuidando tão bem de Silvia para receber seu querido irmão.
Ressalto aqui a motivação recebida de tantas outras pessoas que conheci neste caminho, em especial a Roda Bebedubem, as doulas (Erica e Jana) e mulheres (Camila Freitas, Mariana, Elisa VolkerRomy Ahumada) que me tiraram dúvidas com suas experiências.
Gratidão já era a palavra que melhor definia meu sentimento pela vida desde menina, e hoje só se reafirma a cada dia, afinal, acredito que a vida sorri cada vez mais para quem sabe aproveitar, reconhecer e ser grata à ela.

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Fotografar com o coração, me entregar por inteiro ao um momento que enxergo como poético e mágico.
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Informações do nascimento

Local: São José dos Campos / SP

Data: 26/02/2018

Profissionais:
Debora Diniz - doulaFabiana Beracochea - fotógrafaJuliana Paola - médica obstetraJuliana Santini Racca - doulaLuiz Eduardo - pediatraThaís Peloggia Crusino - enfermeira obstetra

Família:
Fernanda - mãe
Sebastião - pai
Silvia - irmã
Mayra - Avó