Relato de Parto Carolina Kutlesa Charlone – Nascimento Francisco

Carol e Rodrigo são pais da Clara uma linda menina nascida em um parto humanizado hospitalar. No nascimento do Chico tiveram a oportunidade de terem o tão desejado parto domiciliar. Chico nasceu lindo, na banheira do quarto do casal. Foi emocionante presenciar aquela cena, um parto tranquilo e repleto de amor.

Segue o relato de parto da Carol:

O dia em que meu pequenininho chegou começou como uma despedida da minha “filha única”, exatamente como eu sempre pensei que seria.

Não sei qual chegou primeiro, mas a impressão que eu tenho é que, exatamente juntos, às 7:00 da manhã, vieram minha primeira contração, e um chamado “mamãããe”, da minha gordinha que acordava. Levantei da cama com a certeza de que o Chico chegaria naquele dia, e também com uma confiança absoluta no processo. Eu, que achei que gostaria de controlar cada intervalo de contração, só pensava “ele tá vindo, uma hora ele chega, e vai dar tudo certo”. Levantei, tomei café da manhã, lavei a louça, tentando entender o que tava sentindo, e dar alguma notícia pras interessadas, minha parteira Mayra, minha doula Gabi e minha fotógrafa Maíra. Não avisamos a família, não racionalizamos muito o que estava acontecendo.Resolvemos ir à praia!

Um banho de mar gostoso, cheio de ondas, como nunca tem em Jurerê, e como meu peixinho gosta (ele que, muito cefálico às 29 semanas, sentou  num “caldo” que levei  em Fernando de Noronha), uma caminhada, um monte de contrações que me deixavam sem fôlego mas que vinham soltas. Muito colinho, muita risada e muito amor com minha gordinha. Voltamos pra casa, o Rodrigo foi comprar almoço, a Clara e eu tomamos banho. Durante o banho, com algumas contrações bem fortes, me lembro de pensar “nossa, parir é isso, tão doido, tão transcendental, e tão cotidiano, tão tranquilo”. Almoçamos, deu soninho. Tentei dormir mas as contrações, ainda que bagunçadas, tinham força suficiente pra não deixar.  Pareciam estar ficando mais fortes mesmo! Fiquei deitada no escurinho, relaxando, sentindo. A Clara apareceu ali, e, numa contração mais forte, se assustou. “Por que você tá fazendo assim, mamãe?” Travei. Não tinha muitas expectativas de como seria a participação dela no parto. Sempre pensei em ir sentindo e decidir na hora se ela estaria. Precisei que ela não estivesse, pra me entregar completamente, e acho que foi perfeito assim.

Ligamos pra minha sogra, que levou um tempinho pra chegar.A Gabi também veio, e as contrações já não me deixavam falar, mas ainda não tinham ritmo. Quando minha sogra levou a Clara, e saímos pra caminhar. Daí em diante senti o processo realmente acontecendo. Caminhando a dor parecia diferente, mais suave, e as contracoes engrenaram. Em algum momento vi que a Maira chegou, e de vez em quando a percebia por perto fotografando. A Gabi me dava gelinho, a única coisa que senti vontade de “comer” durante todo o TP. A Mayra, minha parteira, também chegou, e pedi pra ela me avaliar. Queria saber como estava, me preparar pro que estivesse por vir, e também queria saber da minha bolsa. Meu strepto era positivo e essa era uma questão que tínhamos que observar.

Hoje acho engraçados esses lapsos de consciência que eu tive. Em geral passei o processo todo voltada pra mim, totalmente fora do mundo, mas às vezes voltava pra realidade e queria resolver questões práticas! ??

Quando ela me avaliou estava com 4-5 cm, e a bolsa estava intacta. Então tentei caminhar na rua um pouco mais, mas já estava cansada. Voltei pra casa, entrei na piscina, e caminhei dentro dela, ouvindo música, cantando. Foi tão gostoso isso. Estar ali, nó meu quintal, o Rodrigo por perto, dançando as contrações… não faço ideia de quanto tempo passei ali, só sei que foi bom.

Em algum momento senti cansaço. Pedi pra ir pra banheira, e, nos meus lapsos racionais, negociei que, se o TP parasse, voltaria a caminhar. A água quentinha foi maravilhosa!!! Deitei na banheira e saí do meu corpo, ou virei meu útero. Não sentia mais as contrações, só sentia meu corpo se abrindo, enquanto visualizava meu útero, a cabeça do Chico descendo, a abertura. Eu estava totalmente entregue, e, ao mesmo tempo, absolutamente empoderada. Eu podia tudo, justamente por não controlar nada. Nunca senti algo assim na vida, foi incrível.

Não sei quanto tempo passou, não sei o que aconteceu. Às vezes voltava pra fora e via coisas acontecendo, o quarto sendo arrumado, as pessoas em volta, a Mayra medindo os batimentos do Chico. Ainda que eu ame as pessoas que estavam no meu parto, senti uma conexão absurda com o Rodrigo. Só queria ele, só ele podia me tocar, só precisava da sua força.

Senti vontade de fazer xixi, e fiquei imaginando como faria isso, ali na banheira, por algum tempo antes de pensar em falar pras pessoas o que tava acontecendo. Quando falei me dei conta, ou me disseram, não lembro, que não era xixi, era Chico! Toquei e senti, não sua cabeça esquisita, como tinha sentido a da Clara, mas a bolsa, um balãozinho. Ela ainda tava ali.

Fui fazendo forças, nem me lembro como, quantas, por quanto tempo. As contrações se espaçaram, eu descansava. Até que a cabeça saiu, só até a metade. Achei que fosse explodir de dor! Não me parecia possível que TUDO aquilo fosse SÓ um bebê! ???

Depois do que pareceu uma eternidade, a cabeça saiu inteira. Deixei meu menininho escorregar, e peguei, sozinha. Era tudo meu, eu que tinha feito, eu que tinha parido, e era tão bom! A bolsa estourou quando ele saiu, mas a primeira vez que eu o vi, foi ainda dentro dela. Ele tinha uma volta de cordão no pescoço, a May ajudou a tirar. Ele chorou um choro esquisito, meio engasgadinho, ou eu achei que fosse. Era choro de peixinho, que nasceu na água, duplamente, na bolsa e na banheira, nos primeiros minutos do seu signo.

 

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Eu acredito no poder transformador da fotografia, registrar partos é muito mais do que congelar aquele momento maravilhoso na vida de uma família, é eternizar o amor!
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Informações do nascimento

Local: Florianópolis / SC

Data: 18/02/2017

Profissionais:
Gabriela Zanella - doulaMaira Reif - fotógrafaMayra Calvette - enfermeira obstetra

Família:
Rodrigo – Pai
Carol – Mãe
Clara - Irmã