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Relato de Parto Aline Ribeiro Soares- Nascimento Otto

Das vezes que nos encontramos para falar sobre o parto, a Aline sempre dizia que temia que teríamos que ficar vários dias na casa dela. Lembro que no último encontro ela nos falou sobre onde iríamos dormir e que era para levar um ventilador. 🙂 No dia do parto foi tudo a jato. Chegamos e Otto estava quase nascendo. Se não me engano foram 30 ou 40 minutos antes do nascimento dele. Que honra meus queridos Jorge e Aline poder presenciar o nascimento do Otto, presenciar a tua entrega Aline. Presenciar a mão sempre presente do Jorge ao teu lado. Foi lindo, lindo, até hoje me emociona. Gratidão a vida e a vocês por me permitirem registrar este momento tão maravilhoso. Mayra e Marcela obrigada pela parceria nestes lindos partos que tive a honra de presenciar e registrar o lindo trabalho de vocês.

O dia escolhido pelo Otto

Era 6 de fevereiro de 2017, acordei com cólicas, contrações leves e espaçadas. Que sonho! Meu bebê estava chegando! Fui dormir, claro, lembrando de meu parto anterior, que as primeiras contrações começaram numa terça e a Elis nasceu na sexta! Mas todo mundo fala que o segundo filho é mais rápido né!? Então imaginei que em no máximo dois dias estaria com Otto no colo! Dormi um pouquinho e acordei com contrações mais fortes, no meio da manhã, nesse momento avisei para minha filha de “quase 3” que o maninho estava chegando, avisei também as parteiras Marcela e Mayra, só para elas saberem que naquela semana, provavelmente, Otto ia nascer. Avisei também a Maira, que registraria esse momento que estávamos prestes a viver! Família não achei necessário, afinal, eu já sabia que ia demorar e não queria ninguém preocupado. Como as contrações estavam aumentando, resolvi dar uma faxina na casa, para dar um “vai ou racha” na história. E no auge dos agachamentos para limpar em baixo da mesa as contrações diminuíam, cada vez mais. “Rachou” Pensei, Jorge, meu marido, não foi trabalhar (ou estava de férias, não lembro), foi preparar um almoço e eu fui ver Puffin Rock com Elis na cama (ótimo desenho pra crianças que vão ganhar irmãos). Fiquei lá deitada, abraçadinha com ela, e as contrações voltaram com força total! Confuso né!? Para na faxina, volta no descanso? Ok! Almocei, descansei mais e só aumentava! Equipe de parto já perguntando se eu queria que viessem para minha casa…Mas na minha cabeça, se ele nascesse rápido nasceria no dia seguinte, no mínimo. Como eu não podia deitar que as contrações vinham, (algo super chato é se contorcer na cama no verão) resolvemos fazer uma trilha e ir pra praia! Morávamos no rio vermelho, fomos de carro até a reserva florestal e fizemos uma trilha bem leve que leva à praia do Moçambique. Nessa caminhada as contrações permaneceram ritmadas e intensas, mas num nível OK! Ficamos 15 minutos na praia e eu já quis voltar pois o bagulho estava ganhando intensidade!

As reações de uma caminhada

Voltando na trilha eu parava a cada 5 minutos e dava um OI pra partolândia, sentia meu corpo se abrindo, pelve se abrindo, bebê descendo, e aí voltava para realidade e dava mais meia dúzia de passos naquela trilha leve que já estava se mostrando mais longa do que costumava ser! Lembrava de falar pra Elis que a mamãe ia virar ursa, gritar muito e depois voltar ao normal, com o irmãozinho no colo. Ela catou uma plantinha peludinha e fazia cócegas na minha barriga quando eu parava por causa das contrações, eu não sabia se ria ou chorava, mas acabei rindo sem querer. Estávamos quase chegando e passou uma Jararaca no nosso lado, saímos logo de perto, mas julgamos todos que era um bom sinal!Nunca fiquei tão feliz ao ver nosso carro estacionado, não aguentava mais andar!

Após a caminhada

Fomos para casa e já tinha mensagens de toda a equipe perguntando se estava tudo bem! Chegamos em casa, tomamos um café da tarde em ritmo de parto, Jorge deu banho na Elis e depois coloca-la na cama, e eu já me imaginava passando a noite no chuveiro gritando. Fiquei falando com a equipe por mensagem, elas querendo vir, falando que segundo bebê vem que vem, e eu dizendo: “Não, está tranquilo, vai demorar.” Elis nunca foi uma criança que se anima muito de ir para a cama, o dia estava causando uma certa ansiedade, com essa história de mãe, ursa, irmão, contração… resolvi ir ficar um pouco com ela. Fui lá, contei do parto dela, falei sobre o lugar importante de ser a primeira filha, todas essas coisas, ela adormeceu.

O trabalho de parto iniciou com força total após a Elis adormecer

Fui tomar banho para o segundo “vai ou racha”, afinal se rachasse eu ia dormir! Se liguem no meu projeto: tomo banho, saio do chuveiro radiante, controlada, me deito na cama, Jorge conta os intervalos, fala para a equipe e assim seguimos, com total controle da situação, afinal eu já pari, sei como funciona 😉 Saí do banho, deitei na cama e a bagaça ficou hard rock! Jorge contou e já avisou as gurias e adicionou só um recado meu: “Calma, está tranquilo!” Estava me contorcendo pela cama começado a conceber a ideia de que talvez ele nascesse naquela madrugada, entre uma contração e outra pensei: “não liguei, para minha irmã, preciso colocar os discos e explicar pro Jorge a sequência das músicas”

Bolsa rompeu

Escutei “TUM” dentro da minha barriga, sim, eu escutei! Saíram 9847239847239472 litros de água da minha barriga; enquanto Jorge pegava uma toalha já veio outra contração que doeu um pouco assim… em excesso, digamos. “VAMOS ACENDER A FOGUEIRA, AGORA!”Andamos até o quintal, onde estava a fogueira, me joguei num tronco quebrado em forma de pelve e QUE DOR! Comecei a sentir força! Não sentia vontade de fazer força, a força vinha num nível inevitável, eu sentia ele descer e eu fazia força para isso, sem poder controlar. Aí pirei! Falei para o Jorge chamar a equipe, ele chamou, na próxima contração comecei a gritar muito, e perguntar onde elas estavam (deviam estar entrando no carro, obviamente)! Começou a chuviscar, Jorge me ajudou a levantar para entrar em casa. Lembro de falar “Não vou aguentar, se continuar assim vou ter que ir para o hospital” Consegui chegar em casa, deitei na cama e sentia abertura total, sentia bebê descendo, sentia tudo!

Chegada da Equipe

Maira foi a primeira a chegar, me olhou no olho, invisível e totalmente presente ao mesmo tempo. Eu gritava muito, sério, meu quarto é ao lado do quarto da Elis, não sei como ela não acordou, meus gritos eram tão intensos que toda vez que vejo o vídeo ainda me surpreendo. Eram gritos libertadores.  As parteiras chegaram, May e Marcela, que estavam também no parto da Elis, um parto muito logo, hoje sei que demorou tanto porque as contrações não era tão fortes, com o Otto o bagulho foi MUITO mais intenso.A presença daquelas 3 mulheres na minha casa era força, segurança, amizade. Marcela ofereceu um toque, aceitei, sim, cabecinha já liberada pra sair! Não sei bem quanto tempo passou, mas sei que foi pouco, não sei bem o que aconteceu nesse tempo, porque eu só gritava um grito delicioso, me contorcia, ria, e as três mulheres, e o meu companheiro, me assistiam e me amparavam ali naquele quarto, mas eu estava em outro mundo! Que coisa maravilhosa é parir, se não precisasse gestar e criar eu pariria 47198471984 bebês!

O grande momento

Senti ele descendo, senti passar pelo meu canal vaginal cabeça, ombros, bracinhos, cordão, pernas, pés, Otto foi amparado pelas minhas mãos, pelas mãos da Macela e Mayra. Maíra fez registros incríveis desse momento, minha expressão, a chegada dele, nós três o amparando! Emocionante, veio direto para o meu colo, Maira apagou a luz, acendemos uma luz baixa, assim ele pôde abrir os olhos, namoramos uns minutinhos, ele não quis mamar, pari a placenta (essa parte não foi tão deliciosa, mas foi de boa), namoramos a placenta, aí sim ele quis mamar, mamou, foi avaliado, tomei shake de placenta, Jorge foi chamar a Elis e ela não quis vir, mas depois apareceu, conheceu o irmãozinho, as pessoas limparam tudo, inclusive eu, avaliaram o bebê, me avaliaram, foram embora e nós fomos dormir todos agarradinhos!

Este relato agora vai compor o álbum de lembranças desse dia incrível, no fim Otto nasceu antes da meia noite, no dia 6 mesmo, o vídeo, cada foto, este relato, são elementos que me levam de volta para tudo que acessei naquele dia, sublime, de força, amor, poder e aprendizado <3

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Eu acredito no poder transformador da fotografia, registrar partos é muito mais do que congelar aquele momento maravilhoso na vida de uma família, é eternizar o amor!
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Informações do nascimento

Local: Florianópolis / SC

Data: 6/02/2017

Profissionais:
Maira Reif - fotógrafaMarcela Flueti - parteiraMaristela Sens - obstetraMayra Calvette - enfermeira obstetra

Família:
Aline- Mamãe
Jorge- Papai
Elis - Irmã