O Parto da Marcela // Nascimento do Tiago

O primeiro contato

Marcela entrou em contato comigo 10 dias antes da sua data provável de parto. Gestava o pequeno Tiago há 40 semanas e começou a pensar sobre fotografia ali, “na cara” da DPP. ☺️

Habitualmente, eu não conseguiria atendê-la, mas todas as mulheres grávidas com previsão de parto para aquele mês pariram no final de junho e na primeira semana de julho, liberando a agenda para a Marcela. A gente era pra ser!

E para selar esse acordo orquestrado pelos astros, a Monica estaria conosco. Havia sido sua doula no parto anterior e agora atenderia como uma das enfermeiras obstetras. Que coincidência gostosa! Conversamos sobre os partos anteriores. Sobre tudo que sentiu e como percebeu seu TP. Ela me contou que manteve-se introspectiva e conectada com seu próprio corpo o tempo todo (e foi exatamente assim no terceiro!).

Os primeiros sinais

No dia quinze de julho, um pouco depois das quinze, recebí uma mensagem cheia de corações e beijinhos. Algumas cólicas e pelos emojis, um bocado de alegria. Preparei o equipamento, deixei a bolsa pronta e me planejei (mães que fotografam parto me entenderão! Rs).

Um pouco antes das dezessete, entrei em contato para checar se havia ritmo de TP. Nada. Já havia sido examinada e estava tudo tranquilo por lá. “Sem muitas atividades por aqui”, ela disse.

Acontece que a atividade começou cinquenta minutos depois, com a saída do tampão e com contrações a cada cinco minutos. Ela pediu para que eu ficasse tranquila, disse que avisaria quando fosse para eu sair de casa.

Os emojis – em menor quantidade dessa vez, ainda estavam lá. Mas, as frases estavam mais curtas e objetivas. Achei que deveria sair de casa. Avisei e fui.

Às dezoito e quarenta, quando eu estava já chegando no portão da casa, recebi uma nova mensagem – que só fui ver no dia seguinte: a bolsa havia se rompido e as contrações chegavam a cada 3 minutos. “Ainda bem que você veio mesmo assim”, ela me escreveu mais tarde. ❤️

Quem abriu o portão foi o marido. Eldernan. Sorriso largo e touca, se protegendo do frio. “Tá começando!”, ele disse. “Não tem sorriso mais não…”. Entrei, cumprimentei a vovó Luzia que estava lá também, subi para conhecer o Filipe e a Maria Alice (que doçura de criança!!) e voltei para sala onde eles estavam.

Linda. “Que mulher linda”, eu pensei. Não abriu os olhos. Estava sentada no sofá. Pantufas no pé, vestido, um cobertor por cima dos ombros. Nenhuma palavra. Olhos sempre fechados. Eldernan estava sentado ao seu lado, quase embaixo, com um dos braços ao seu redor. Com a outra mão, segurava a mão dela. Ela não se mexia. A contração chegava, permanecia por alguns instantes e dava uma trégua. Ela permanecia imóvel. Calada. Com as pálpebras cerradas e a alma totalmente voltada para si.

Estava concentrada. De fato, não havia mais sorriso. Ela estava guardando para um momento especial, que chegaria não muito depois. Agora, era preciso se fechar e respirar. Para então, se abrir e sorrir.

O nascimento

As contrações foram ficando mais intensas. Ela pediu silêncio. Mais uma e abriu os olhos. “Está ardendo!”. Era o círculo de fogo. A Lara examinou e sugeriu uma nova posição. Tiago estava pronto. Conheceu sua mãe às dezenove e quarenta e dois.

Marcela estava exausta e com frio, a equipe preparou uma cama na sala para acomodá-la, enquanto esperavam a placenta – que nutriu o pequeno Tiago por tantos meses, nascer. Ao lado dela ficou Maria Alice, enchendo a mãe e seu mais novo irmão de carinho.

Às vinte e cinquenta, vovó Luzia cortou o cordão. Com a voz firme e uma sensibilidade tremenda ela disse: “Estou cortando o cordão, mas o laço de amor que une vocês não findará jamais”. Essas palavras ressonam como tambor no meu peito até hoje. Um baluarte de mãe para filha. Palavras poderosas, cheias de verdade e profecia. Palavras de avó.

A placenta nasceu na banqueta, cinco minutos depois.

Marcela precisou de alguns pontos por conta das lacerações. Monica anestesiou o local até que ela não sentisse mais nada antes de começar a sutura. Enquanto isso, vovó curtia e observava com atenção cada pedacinho do neto recém-chegado.

Família querida, gratidão imensa por me escolherem para participar desse momento magnífico e transformador. Que o amor e o respeito esteja sempre entre vocês. Fica um pedacinho gostoso de vocês em mim, que vou levar com carinho pra sempre.

Beijo grande para todos!

Amanda Franco.

EQUIPE:

Fotógrafa e filmmaker: Amanda Franco

Enfermeiras Obstetras: Lara Monnerat e Monica Martins (Equipe Bem Nascido)

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Registrar o parto é documentar o nascimento do bebê e o avassalador e potente renascimento da mulher. Fotografar o nascer é um amor antigo meu, companheiro de longa data.
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Informações do nascimento

Local: Brasília / DF

Data: 15/07/2017

Profissionais:
Amanda Franco - fotógrafaLara Monnerat - enfermeira obstetraMonica Martins - enfermeira obstetra

Família:
Marcela Conti - mãe
Eldernan Dias - pai
Maria Alice e Filipe - irmãos
Tiago - bebê
Luzia Conti - avó