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A importância da Fotografia de Parto para a Mulher – Parte 3

O PARTO

Era um parto domiciliar. Planejado desde os primeiros meses de gestação. Antes do primeiro trimestre se completar, o quarto já estava montado. Ela sabia como queria cada detalhe.

O parto, como o evento imprevisível que é, deu uma rasteira em cada etapa do plano. Depois de longos dias em pródromos, as contrações e a introspecção começaram a denunciar a chegada da fase ativa.

Apesar de alguma progressão a cada duas horas, eram bem singelas. Como bebê e mãe estavam bem, não havia perigo. Até que no último exame, a equipe achou que deveria apresentar o cenário e as opções dali para a frente. A bolsa não havia rompido, mas a cabeça do bebê estava baixa e sem espaço entre ela e o líquido – o que era bom. Colo fino, porém pouca evolução na dilatação. Catarina estava exausta, já não sorria mais e chorava bastante, segundo ela: “com medo de não conseguir” (ela ainda não sabia que “não conseguir” não se aplica a partos). Para completar, tudo o que comia, vomitava.

Algumas horas depois, a primeira parte do seu plano fora modificada: fomos para o hospital. No caminho, ela tentava fazer as pazes com a transferência e aceitar a mudança em sua trajetória. “Tudo bem, vai ser no hospital”, ela disse a si mesma entre as contrações.

Analgesia, descanso e – finalmente, alimentação. Voltou do repouso sorrindo, leve e pronta para continuar. Até a maca achou confortável.

As horas se passaram e a dilatação havia aumentado, porém havia ali alguma dificuldade ainda não diagnosticada pela equipe médica. Depois de um longo período veio a indicação (muito bem embasada) de uma cesárea por desproporção cefalopélvica. Era a segunda vez que seus planos “iam por água abaixo”, ela disse demonstrando sua frustração.

Foi uma cirurgia tranquila e quando o bebê chegou, parecia trazer com ele alívio e torpor juntos, em um mar de amor e paz.

A ENTREGA DO MATERIAL

Bebê a dois dias de completar trinta de nascido. Sogra, pai, mãe, o casal e uma tia me aguardavam na sala. O pequeno dormia tranquilo no berço. Os gatos ronronavam pela casa, se esfregando nas tantas pernas disponíveis por ali. Mesa linda com quitutes e velas.

Não é comum esse cenário em uma entrega de material, o que me trouxe estranheza. Mas, curti e me deliciei, como deveria. 🙂

Um evento! A família toda ansiosa para assistir ao filme. Marcos e Catarina nitidamente ávidos para rever aquele dia intenso.

Começou. Torcida no sofá. Música de início, risadas, lágrimas e gol! Digo, nasceu (ritmo de Copa por aqui ainda).

Ela vira pra mim, sorrindo o sorriso mais largo e iluminado do mundo e diz: “eu tentei! Eu tentei muito! Você viu que eu me esforcei, amor?”. “Você foi fabulosa, dedicada e caminhou sozinha até onde pôde. Você não sabia disso?”, eu respondi absolutamente emocionada.

A mãe dela contou que a maior tristeza dela durante o puerpério era não ter tentado. Ter “desistido” na metade do caminho. Que não contou a ninguém sobre o trabalho de parto e que resumia o nascimento do seu filho a “acabou sendo cesárea”.

As imagens trouxeram à lembrança uma longa história de perseverança e resiliência. Cenários diferentes, tempo discorrido, nítida exaustão. O registro do parto permitiu que ela se visse absolutamente dedicada no hospital, fazendo todos os exercícios propostos e ao final, pedindo por mais. Ela finalmente se deu conta de que o parto ter tomado um rumo diferente do planejado não era e jamais seria culpa dela. Tirou um peso dos ombros e sustentou aquele sorriso pleno até onde eu pude ver.

Cheguei em casa feliz e ainda embriagada por aquela sensação quente de amor e satisfação.

Gratidão, Catarina, por trazer essa experiência para a minha vida. Vida longa e justa para o pequeno João Francisco.

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Registrar o parto é documentar o nascimento do bebê e o avassalador e potente renascimento da mulher. Fotografar o nascer é um amor antigo meu, companheiro de longa data.
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